Em Nyware, o mundo parece muito grande: a teoria dos Seis Graus de Separação

Você já ouviu falar da Teoria dos Seis Graus de Separação? Vivemos em redes e, mais que isso, se você está nas redes sociais, está a seis passos de todas as pessoas do mundo. Em 1967, o cientista Stanley Milgran, a partir de uma experiência realizada com 160 pessoas que viviam nos EUA chegou à seguinte conclusão: se tenho dez amigos e estes dez amigos têm cada um dez amigos, a minha rede no primeiro grau de separação é de apenas dez amigos, mas no segundo grau é de 10 x 10 amigos, ou seja, em apenas dois graus de separação estou ligado a 100 pessoas. Em seis graus de separação estou ligado a 10 elevado à 6º potência, o que dá um milhão de amigos. Ou seja, teoricamente, sua rede social é muito maior do que realmente conhece.

Para isso, Milgran pediu que cada um dos participantes enviasse uma correspondência com instruções para que a mesma chegasse a uma pessoa-alvo, originária de Sharon, Massachussets, mas que trabalhava em Boston. As pessoas não poderiam enviar a correspondência diretamente à pessoa-alvo, mas deveriam buscar amigos, contatos e pessoas que a conheciam pessoalmente e que pudessem ajudar na entrega da correspondência. Estas eram as regras. Cada pessoa deveria escrever o seu nome na correspondência de modo que depois fosse possível monitorar o caminho percorrido até o seu destino final. O método criado por Milgram ficou conhecido como small-world.

Eu queria ter parado o assunto por aqui, pura e simplesmente. Mas um documentário mais detalhado da BBC me trouxe não só esclarecimentos, mas também muitas reflexões.

Quem gosta de poemas e, neste caso, lê Carlos Drummond de Andrade, já ouviu falar de ‘Quadrilha’: “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili (…)” blá blá blá.

Pode parecer um poeminha bonitinho, uma verdade insignificante, mas ao assitir o documentário o poema me veio à mente de forma que eu me pergunto se o próprio Drummond tinha consciência das entrelinhas destas palavras sendo que, naquele tempo, as redes sociais tal qual as definimos e utilizamos nos dias de hoje sequer existiam nas formas como são.

Algumas máximas servem como guias para as palavras que, mesmo não sendo originalmente minhas, virão a seguir:

1 – vivemos em redes e essas redes nos alimentam
2 – nunca se feche para novos relacionamentos
3 – nunca ache que você é o centro de tudo, por mais que se considere uma peça fundamental para milhares de outras
4 – você está ao alcance de tudo

A gente compartilha informações. A gente gera conteúdo? A gente quer ser curtido. A gente curte também? A gente se fecha em nossos próprios círculos. A gente merece fechar estes círculos? Qual direito temos de fechar estes círculos?

A Teoria dos Seis Graus de Separação, na verdade, fala sobre a reflexão que devemos nos fazer sobre a forma como devemos nos unir. Se são os opostos que se atraem, isso vale também para os antônimos.

Deixarei abaixo as cinco partes do documentário que fala sobre tais seis graus. Mais coerente seria que fosse dividido, o todo, em seis partes.

Os pontos que destaco, em suma, além dos que foram citados dizem e nos fazem pensar:

– redes sociais não são apenas para pessoas. Elas funcionam entre os neurônios do nosso cérebro, as células que determinam o batimento cardíaco, os grilos que cantam à noite, os vagalumes que piscam, os pássaros que voam em enormes bandos, as redes de energia que iluminam as cidades, os vírus que se espalham pelos computadores e aqueles que se espalham pelo corpo;
– sobre a forma de propagar uma mensagem em um estádio de futebol lotado, estando você de um lado e a informação ter de chegar no lado oposto;
– sobre a criação de um site chamado O Oráculo de Bacon – nele, um estudante de Informática decidiu criar um site focado nos atores de Hollywood e quantos passos seriam precisos para que um ator/atriz pesquisados chegassem ao Kevin. Ao pesquisar, por exemplo, por Denzel Washington, descobre-se que: Denzel esteve em “Devil in a Blue Dress” (1995) com a atriz Maury Chakyn. Esta, esteve em “Where the Truth Lies” (2005) com Kevin Bacon. A partir das ligações necessárias, surgiu o “Número Bacon” e, para Denzel Washington, o número Bacon é 2.

Cientistas dedicam seu tempo ao estudo das redes. Um deles, citado no documentário, é o físico húngaro Albert Laszlo Barabasi – que teve como ponto de partida a obra Fundação, de Isaac Asimov. Barabasi encontrou um lapso de Asimoov: “a compreensão das redes contém a promessa de prever o futuro”. Para o físico húngaro, faltou em Asimov a estrutura e o pensamento da rede. “Os fatos não são isolados, eles dependem uns dos outros. O importante é entender como eles interagem”, cita.

Outro ponto que me chamou atenção fala sobre o funcionamento dos “hubs”. Para quem não sabe, e numa explicação bem sucinta, os hubs “são dispositivos concentradores, responsáveis por centralizar a distribuição dos quadros de dados em redes fisicamente ligadas em estrelas. Funcionando assim como uma peça central, recebe os sinais transmitidos pelas estações e os retransmite para todas as demais”. Fica compreensível, então, como alguns perfis de Twitter, por exemplo, possuem sua relevância pela capacidade de potencializar a disseminação de uma informação – mesmo que a quantidade de seguidores não seja, necessariamente, de perfis genuinamente verdadeiros. E aí, alguns analisam a sua reputação por meio de diversas ferramentas que estão disponibilizadas na web. O Klout é uma delas, mas existem outras também.

Durante o documentário, me perguntei se existem plataformas de blogs que permitem a troca automática de blogs favoritos indicados a partir da relevância que possuem dentro dos temas que você publica no seu blog. O meu WordPress tem como favoritos os sites que eu preferi indicar por opção pessoal. Porém, nem eu mesmo sei se estas referências são, atualmente, as mais interessantes. E se existisse um sistema que pensasse automaticamente isto para você, tal como a nuvem de tags apresenta as palavras que estão em evidência em suas publicações?

Outra reflexão que fiz foi a seguinte: quando alguem pede a você para retransmitir a alguém uma coisa, como um curriculo, um envelope etc; uma das primeiras perguntas que nos fazemos é se realizar tal atitude – o desejo do outro – não comprometerá a nós mesmos. Porém, a recepção do destinatário não deve ser nossa principal preocupação. Não devemos, nem nós que repassamos a informação, nem aquele que a recebe, fazer algum juízo de valor. Estaremos, apenas, cumprindo um papel como agente social, um mediador entre o remetente e o destinatário.

Assista ao vídeo e faça você também suas próprias reflexões.

 

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