Sussurros sonoros

Sopro que arrepia, que leva e enleva palavras, beijos e sons. Sopro que chega e fica. E ponto. Este último, por sua vez, quando da boca do saxofonista Julian “Cannonball” Adderley é dos que marcam. Norte-americano de Tampa (Flórida), nasceu, viveu, encantou e se foi, já há alguns anos. Mas o legado de sua carreira permanece. Mais vivo que nunca.

Cannonball, ou ‘bala de canhão’, era apenas uma corruptela de “canibal”, uma alcunha para o apetite voraz do gordinho da boca de ouro.

Se a vocação para a música o acompanhava desde os 8. Aos 27, porém,  se descobriu como um gigante também nos palcos.  Os primórdios do sucesso de Cannonball vieram à tona sob influência do diretor musical em uma escola do ensino médio nos EUA. Não me perguntem o nome, não sei. ‘Naquele tempo’, parafraseando os coríntios, o músico excursionou com Big Bands pelo sul do país. Mas foi no Bohemia Café, nos idos de 1955, que chamou atenção do público em uma apresentação com a banda de outro monstro consagrado (momento Nelson Motta) do jazz, Oscar Pettiford.

Cannonball foi gentilmente convencido a fixar moradia em Nova Iorque, após assinar contrato com a gravadora Savoy e montou seu quinteto tendo, entre eles, o irmão e ‘cornetista’ Nat Adderley.

Se Cannonball se tornou ou não uma lenda, eu não posso dizer. Contudo, se o músico foi capaz de tocar com Miles Davis – a convite do próprio -, isto sim nos faz crer que o sujeito soprava como ninguém seu sax alto.

Conforme registrado por Fernando Jardim em seu Ejazz, Cannonball Adderley foi um dos músicos mais importantes de sua geração, sendo cotado para ser o sucessor de Charlie Parker.

Jaco Pastorious e Hermeto Pascoal são alguns dos grandes nomes da música que se encantaram com o timbre e as idéias do saxofonista. Hermeto compôs o tema Cannon, gravado em 77 no álbum Missa dos Escravos, em sua homenagem, e Jaco dedicou muito estudo à seus improvisos.

Abaixo, o som envolvente de Bossa Nova Nemo, que o próprío Cannonball afirma ser uma homenagem ao ritmo brasileiro e que levou o músico a gravar, nos anos 60, um álbum exclusivo, preguiçosamente chamado Bossa Nova.

Muito sobre Adderley pode ser revisitado aqui.

Outra palhinha, de Bossa Nova. Desta vez, Corcovado… ou Quiet Nights:

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