dexter

ela está me esperando. ali, no canto, na esquina de minhas fronteiras geográficas repousa em silencio à espera do momento certo. quando as luzes se apagam, quando o sono me domina e a noite me leva, quando o sonho me conduz aonde quer que seja ela volta em plenitude. ela está me rondando há dias. como se meu cheiro a entorpecesse. ela nao vai desistir de mim. passa noites a fio estudando, esperando o momento certo para o golpe fatal. eu sei disso tudo. eu gosto disso tudo. sua intolerável presença é minha única e sádica companhia. quando a porta se fecha e as cortinas se cerram eis que ela me chama. soletra meu nome suavemente no ouvido, letra após letra. pau-sa-da-men-te. tentei alcançá-la por diversas vezes, mas ela tem o dom de se esquivar. ela sabe que estou à sua espera e voltará mais uma vez. sua paixao pelo meu corpo é maior do que pode resistir. ela precisa de mim. ela sabe disso. e eu nao me darei por satisfeito até que ela retorne. quero tê-la todinha em minhas mãos. acariciá-la e, sutilmente, cortá-la pela garganta, arrancar suas pernas, membro após membro, torturá-la até que não haja mais forças. e quando sua respiraçao deixar de ser ofegante e em silencio absoluto permanecer, terei acabado de vez com esta muriçoca filha da puta!

4 thoughts on “dexter

  1. figuraça… :o) mas… queria que vc soubesse… é ela… são as pernas-longas, as fêmeas que saem sorrateiramente para possuirem nosso sangue, quente, úmido… são elas. Depois, gordas deste néctar, ficam exaustas e imóveis. E então, é a hora da revanche. Meio nojenta, porque a cada chinelada segue-se uma sessão de limpeza total radiante, mas cuja vingança é ainda mais celebrada, sentida, comemorada. Nem, meu, nem dela. Para sempre.
    Parabéns pela descrição. Não conseguiria fazê-lo tão poeticamente… já travei lutas com raquetes elétricas, com velas de citronelas com o escambau a quatro. De tempos em tempos, transformo meu quarto na sala limpa de uma UTI… mas, incansáveis, elas voltam – mesmo morando no 12o. andar, que, somados aos 3 de playground e garagem… ainda me deixam mais alta. Devem pegar carona no elevador, penso. Uma luta perdida. E, como as terras que descem os morros no Rio, as enchentes que dizimam vidas no Sri Lanka, as tsunamis e tudo o mais… é tudo culpa nossa. da humanidade.

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