“E te prometo: amar-te, respeitar-te por todos os dias de nossas vidas”…

Talvez o começo deste post possa soar um tanto chato, um narizão de cera, um desconcerto em busca de afinação, afinal, rascunhar frases sobre “casamento” para este escriba nunca foi tarefa das mais fáceis – confesso. Mas sou um cara cumpridor de compromissos, um “pagador de promessas” sem crucifixos para arrastar, mas sou. E este texto está em stand-by faz um tempinho, não digo “esquecido”, apenas reservado para a melhor das horas livres.

Partir sempre do começo para um jornalista não é difícil. O Brasil virtual está cheio de números e quando se trata de casamentos não é diferente. O IBGE registrou o que aqui reproduzo: “recasamentos em 2008 representaram 17,1% do total das uniões formalizadas, enquanto em 1999 esse tipo de união totalizava apenas 10,6%. A taxa de casamentos entre cônjuges solteiros, apesar de estar em queda, permanece majoritária. Em 1999 representavam 89,4%, já em 2008 houve uma pequena redução passando para 82,9%”.

Para muitos, casamento é reunir num só lugar as pessoas que mais ama. Para outras, e aqui o feminino é destaque, é véu e grinalda com aliança no dedo. E a moda agora é ouro branco. Mas, ao final, a maioria só quer saber se vai ter festa ou se serão cumprimentos na saída da Igreja. Ai de quem se atrever a esquecer dos bombons, nem que seja um sonho de valsa.

Mas quando há festa, entra em cena o motivo de aqui me fazer presente. Assim como formaturas, nascimentos e batizados são acontecimentos para sempre, registrados nas câmeras, filmadoras e celulares (este último recurso considero muito pobre, por sinal), quem pode pagar por uma após a cerimônia não dispensa sua gravação – seja contratando equipes profissionais, seja chamando o tiozão que tem uma Hand Cam HD para fazer aquela coisa tosca no Windows Movie Maker.

Chego, assim, ao ponto que deveria ter iniciado o parágrafo 1. Eu disse que seria preciso comer pelas bordas para chegar ao meio do prato. Uma das modalidades que chamam a atenção nos vídeos de casamento são os same day edit.  Preciso explicar? Sim? Não? Por via das dúvidas, vai: edições no mesmo dia. E é na cidade das alterosas - BH – que tem coisa boa nascendo neste sentido. O nome? Evolution Wedding.

Especializada em vídeos neste formato (same day edit), a empresa – de responsabilidade dos publicitários Thiago Pará e Rodrigo Cardoso – tem produzido mais que vídeos de casamento. O resultado de uma semana de roteiro, ansiedade e expectativa são choro e abraços comovidos de estranhos, parentes e familiares dos clientes.

Conheci o site e senti o coração tremer. Primeiro, pela essência nos depoimentos sinceros de cada casal. Segundo, pelas belas trilhas sonoras que compõem cada trabalho. Terceiro, as imagens gravadas e o cuidado na edição em tão pouco tempo. Hoje, sempre que posso, dou uma passadinha no endereço virtual para ver o que há de novo. Já que casamento é algo que muitos planejam com antecedência – haja vista o custo de uma cerimônia com direito aos comes e bebes – Pará afirma que 2011 será “o ano” para a Evolution Wedding. Ele revela, nos bastidores, que esteve para fechar um trabalho na capital cearense, mas que ainda não foi acertado. Quem sabe os futuros pombinhos não mudam de ideia depois de verem o que estão perdendo? Afinal de contas… não se casa todo dia.

Como a distância entre Fortaleza e BH é grande para meu bolso pequeno, o bate-papo foi virtual. O resultado você confere logo abaixo. Ao final, dois belos vídeos produzidos pela empresa.

Rodrigo Coimbra: Pará, você é formado em publicidade e muitos que trilham esta profissão gostam mesmo é do trabalho em agências, criando anúncios e atendendo clientes. Por que escolheu trabalhar com vídeos?

Thiago Pará: Sou formado em Publicidade sim e escolhi trabalhar com vídeos logo no início da faculdade. Sempre fui muito “técnico”, sempre fui muito curioso e sempre gostei de fazer acontecer. Isso foi um problema na faculdade, pois nada acontecia, tudo era muito teórico e as perspectivas de se “fazer” algo pareciam muito distantes. Sempre me falaram: Ah, você só vai aprender algo de publicidade a partir do quinto período, bla, bla, bla. Dei um jeito de aprender Photoshop com o pretexto de entrar em algum estágio e consegui. Não tinha nada de vídeo, lógico, mas quando ilustrava algo sempre imaginava como seria se aquilo se movesse (ainda não conhecia o After Effects, rs). Foi então que tivemos uma matéria de cinema, no terceiro período, onde montamos um curta que fez muito sucesso na época. Ele era em preto e branco e tinha que parecer antigo. Lembro que fiz o efeito de filme envelhecido e apliquei em todo o filme (na época não existiam esses plugins que fazem esse efeito, foi na mão mesmo). Engraçado falar disso, porque foi a primeira vez que vi a reação de espanto das pessoas, horrorizadas com o que o nosso grupo tinha elaborado em tão pouco tempo. Depois desse curta, o Rodrigo (o meu amigo e segundo câmera dos trabalhos atuais) me incentivou a largar o estágio e ir trabalhar com vídeo.

RC: Como veio, então, a ideia de investir esforço e conhecimento nesta área de “casamentos”?

TP: Sempre observei o mercado de casamentos, não vou negar isso, mas nunca achei interessante fazer e muito menos assistir vídeos de casamento. Fazer vídeos de casamento não é fácil por um único motivo: eles são previsíveis e tudo que é previsível é chato. Minha cunhada quase me matou de tanta raiva porque demorei quatro anos pra editar o vídeo de casamento dela. Sempre que editava resolvia parar porque achava que estava uma m… e que aquilo não tinha como ficar bonito. Sempre tive problemas com esses vídeos. Resolvi pensar numa maneira de tornar esse vídeo interessante e a única solução que vi foi sair desse mundo “previsível” do casamento e focar no casal. O casal é o grande segredo. Sempre há algo inesperado, sempre acontece alguma coisa imprevisível. A idéia de exibir no mesmo dia é apenas uma questão técnica. Cheguei a pensar que isso era algo original, mas me deparei com esse serviço, já existente, nos EUA, Canadá e Rússia.

RC: Mais que registrar um casamento, senti que você transforma histórias de pessoas comuns em momentos inesquecíveis. Isso requer sensibilidade e talento. O que é o casamento para você? Você também é casado?

TP: É o que falei, o foco é o casal. Eu acho, no meu trabalho, que a festa é o pano de fundo. Às vezes gigantesco, outras vezes mais simples, mas com o casal no centro de tudo. Você falou em registro na sua pergunta, eu faço questão de frisar com os meus clientes que eu não me apego ao “simples registro” do evento. Há uma centena de profissionais que já fazem isso, ligam a câmera e registram tudo que acontece na festa. Nosso trabalho é o casal, eles são os donos do dia. Ainda não sou casado, mas gostei da sua pergunta. Falava com a minha namorada que não queria vídeo no meu casamento, só foto. Estou num mato sem cachorro.

RC: Vocês apresentam sempre uma prévia e depois o trabalho final? Como se desenvolve um projeto para um casal que procura sua empresa?

TP: Não mostramos nada, absolutamente nada para o casal. Geralmente pergunto sobre hobby deles e fico atento a todos os comentários. O roteiro é feito para não nos perdermos completamente, mas nunca conseguimos segui-lo a risca, sempre aparece algo melhor do que prevíamos (e temos que decidir o que retirar), ou algo de muito errado que temos que mudar na hora. Aprendi a sempre pensar num plano B pra tudo.. O mais importante é que o casal confie no nosso trabalho.

 

Se o foco é o casal, registramos aqui um pedaço dos sócios Rodrigo Cardoso e Thiago Pará

 

RC: Como é feito o trabalho de filmagens: acontecem antes e no dia do casamento, pelo que entendi. Mas como funciona o planejamento disso tudo? Quanto tempo leva para se produzir um vídeo de um casal?

TP: Às vezes é interessante filmar o noivo antes (o making off de homens geralmente demora uns 10 minutos). No vídeo Fernanda e Marcelo, por exemplo, a trilha de moto foi gravada uma semana antes, mas só porque a Fernanda ficou com receio do Marcelo se machucar, porque daria para filmar tudo no mesmo dia. O restante desse vídeo foi gravado no mesmo dia do casamento (a dança com os cachorros surgiu por acaso. Estávamos saindo da casa quando ouvi a Fernanda chamar o Marcelo para ensaiar a dança – olha o roteiro mudando). Mas não existe uma fórmula, cada casal tem um problema em particular. Geralmente orçamos uma externa extra à do dia do casamento, isso já basta. Pensamos em fazer um casamento por semana, pois assim conseguimos manter a qualidade e dar atenção ao casal e achamos que uma semana está de bom tamanho para resolvermos tudo.

RC: Como é apresentado o resultado final e quais reações provocam nas pessoas?

TP: No dia, durante a festa. Projetamos numa tela de 102″ (ou maior caso o local tiver uma tela própria) em fullHD. Entregamos o DVD e Blu-ray depois e o vídeo é o mesmo exibido na festa. As reações, contudo, são diversas! Choro, gente que nem conheço me abraçando, parabenizando etc. No início da apresentação, como ainda não somos conhecidos as pessoas pensam que será apresentado um slide-show convencional e muitos torcem o nariz. Mas o que mais me chamou atenção foi o completo silêncio e a cara dos convidados, todo mundo abismado. No próximo iremos filmar esse comportamento e você vai entender o que estou falando.

RC: A Evolution Wedding surgiu em junho. Quantas pessoas a compõem e como está sendo a receptividade do mercado?

TP: (risos) Somos eu e o Rodrigo. Nesse último que fizemos chamei a minha namorada como assistente (salvou minha vida, foi ótimo) e a sobrinha do Rodrigo como assistente dele. É bom ter mulher na equipe na hora de vestir a noiva, conversar etc. O mercado está me recebendo bem, pensei que teria maiores dificuldades para vender o meu produto, já que é diferente. As pessoas adoram, acham lindo, mas fechei poucos para esse ano. Acho normal porque quem está prestes a se casar não tem mais dinheiro pra nada e nós surgimos há pouco tempo. Estou conseguindo fechar alguns para o ano que vem.

 

 

Seu Waldir, o cão...

 

 

Mariana, do Filipe...

 

 

 

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3 pensamentos em ““E te prometo: amar-te, respeitar-te por todos os dias de nossas vidas”…

  1. Sempre achei o fim da picada ter que assistir a vídeos de casamentos por amizade. Não conheço nenhum dos casais que estão no site do evolution wedding e já assisti várias vezes o casamento deles. Lindo demais!

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