A fama herostrática e o triste fim do Templo de Ártemis

Fato: com a chegada e advento das novas tecnologias no mundo virtual todo mundo quer ter seu momento de fama. Sites como youtube e twitter estão tornando meros anônimos em ícones, seja pela qualidade de seus trabalhos ou da forma de pensamento, seja pela estupidez ou pelo nível baixo de intelecto com que reproduzem e analisam o mundo contemporâneo. Com o auxílio destas ferramentas nos dias atuais, nomes como Katylene, Sthephany e seu hit do Cross Fox, Pecesiqueira, Rafinha ou Marcelo Tas – para não fugir muito da minha realidade – vem conquistando adeptos e seguidores dia após dia.

Mas, muito antes deles, o mundo viu, registrou e gravou nomes de seres que também marcaram época e deixaram nos anais da história a lembrança de seus feitos. Um destes, e talvez numa mescla de ousadia, ignorância e estupidez foi Heróstrato. Até minutos atrás, este texto pelo qual você corre os olhos sequer existia em minha cabeça. Foi lendo “A Arte de Escrever”, de Arthur Schopenhauer, que tal figura me chamou atenção durante uma pequena passagem do livro.

Heróstrato, conforme registra a Wikipedia, foi um jovem que ateou fogo no Templo de Ártemis, em Éfeso (onde hoje é a Turquia Ocidental) em busca de fama e da imortalização de seu nome. O corajoso ato aconteceu em 20 de julho de 356 a.C. Não se acha, numa rápida busca pelo Google, muitas referências em português para este sujeito. O que se sabe, contudo, é que o orgulho e a soberba deste mané destruíram, de forma impiedosa, aquele que era considerado uma das sete maravilhas do mundo na Antiguidade.

O Templo de Ártemis, na visão de Martin Heemskerck

Contudo, as autoridades da época não deixaram o fato passar em branco e tomaram as consequências que, talvez, o jovem já esperava. Heróstrato foi executado e seu nome viveu um legado de obscuridade sob pena de morte para aqueles que desafiassem as ordens superiores. Não bastasse o feito inédito, de substantivo próprio, o termo passou para metáfora alusiva na língua inglesa (“herostratic fame”, ou fama herostrática), tornando-se uma forma de se referir às pessoas que buscam o reconhecimento a qualquer custo – seja jogando aviões nas torres gêmeas, seja marcando 1000 gols.

No cinema, Heróstrato também foi lembrado. Jean-Paul Sartre escreveu um conto intitulado “Herostratus” – que você pode conferir trecho no vídeo abaixo (em inglês).

Em 1967, o diretor australiano Don Levy deixou, mais uma vez, o nome de Heróstrato imortalizado ao gravar filme homônimo e que contou com a participação da conhecida e respeitada atriz inglesa Hellen Mirren – que já levou prêmios como Globo de Ouro, Emmy e também foi indicada ao Oscar por três vezes.

O que vale reflexão, nisso tudo, é que mesmo com o decorrer de séculos e séculos na trajetória deste lugarzinho chamado planeta Terra, há sempre aqueles que deixarão seus nomes gravados nas linhas do tempo. Não bastasse o frenesi humano, agora é ela própria quem busca chamar a atenção dando seus chiliques e solavancos com terremotos e tsunamis.

Apenas como curiosidade, deixo um breve resumo sobre o Templo de Ártemis:

Escombros e restos do Templo de Ártemis ainda existem

O Templo de Ártemis ficava localizado na cidade de Éfeso, na Turquia, dedicado à deusa Diana. Sua construção foi iniciada pelo rei Creso da Lídia e durou cerca de 120 anos. Com arquitetura imponente e bela, foi considerado uma das sete maravilhas do mundo.  A abundância de oferendas deixadas a partir do século VIII a.C. mostra um lugar de adoração.

O edifício mais antigo, que é a primeira fase, é um altar, seguidos pela construção de pequenos templos (naískois). O templo foi projetado pelo arquiteto grego Quersifrón, cretense cidade de Knossos e construído em torno de 550 a.C. à custa de Creso, o poderoso rei da Lídia.

Foi concluído por Metagenes, filho Quersifrón, com ajuda de Theodore, o arquiteto da Heraion de Samos. Sua localização se deu em terreno rochoso como uma precaução contra terremotos, de acordo com Plínio, o Velho.

O templo tornou-se uma atração turística, visitada por comerciantes, os reis e os passageiros, que prestaram homenagem a Ártemis, sob a forma de jóias e outros bens. Seu esplendor também atraiu admiradores que formaram o culto de Ártemis.  Também foi respeitado local de refúgio. Conta a história que, por lá, Amazonas se escondeu de Hércules e Dionísio.

Réplica, em proporções menores, pode ser visitada em Estambul

A maioria das descrições físicas do templo vem de Plínio, o Velho, embora haja divergências sobre o tamanho. Plínio descreve o templo como 377 pés de altura (115m) por 180 pés de largura (55m), realizada principalmente em mármore, a maior do mundo grego. Era composto por 127 colunas, cada uma com 60 pés de altura (18 m), igual a 12 vezes o diâmetro da base.

O templo de Artemis estava em uma região próspera, de passagem de viajantes e mercadores de toda a Ásia Menor. Ele foi influenciado por muitas crenças, e era um símbolo de fé para muitas pessoas.

4 thoughts on “A fama herostrática e o triste fim do Templo de Ártemis

Participe. Deixe seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s