Honduras: o fim da diplomacia do tacape “democrático”

O caso Manuel Zelaya continua dando o que falar. O assunto, de repercussão internacional, é apresentado (com muito prazer para este mero jornalista) pelo digníssimo Fred Navarro.

Boa leitura.

*Fred Navarro

Manuel Zelaya deu início e conclui sua participação na crise em Honduras ao lado da farsa: conclamou o povo a se abster de votar e apontou um comparecimento menor do que o real. Ou seja, continua a apostar no impasse. Por ele, seu povo continuaria no sofrimento, sob boicote internacional, desde que ele continuasse arrotando seus slogans ideológicos na mídia. Essa enorme, custosa e ineficiente farsa foi sustentada ao longo de meses por ele, Chávez, Amorim, M.A.Garcia, Lula, os Kirschner, Morales, Ortega e Correia.

Enquanto uns protestam do lado de fora…

O povo hondurenho não vai esquecer as tentativas externas de influenciar o que aconteceu dentro do país, chegando ao cúmulo de o Brasil propor o adiamento das eleições que resolveriam, como está resolvendo, o problema. E tudo em nome de quê? Do falso argumento contra “os golpistas”, mantra ridículo, sem base real, pois desde o começo o verdadeiro golpista foi Zelaya, que traiu a todos os seus pares e quis dar um golpe disfarçado de “reforma” à Constituição. Basta dizer que Zelaya não tinha o apoio do Congresso, do Judiciário, do Exército, da Igreja e, como se viu depois, nem do seu próprio partido, que escolheu um candidato à presidência que não era o dele, e que participou da eleição contra a sua vontade. O apoio dele vinha do “subperonismo” inscrustado na máquina do governo, o equivalente aos nossos sindicalistas oriundos do petismo e aboletados até os ossos na estrutura do Estado.

Zelaya descansa tirando onda de playboy lá dentro...

Todos os países latino-americanos e africanos que hoje são democracias tiveram eleições “tuteladas” pelos regimes de exceção anteriores. Quem guiou nossa transição rumo à democracia, por exemplo, foram Geisel e Figueiredo. As primeiras eleições livres que tivemos pós-ditadura foi com o “grande democrata” Sarney na presidência, o Chile emergiu de Pinochet e também fez sua eleição democrática. Mas isso não vale para Honduras, é claro.

Os argumentos ideológicos já justificaram todas as barbaridades que se possam imaginar, do nazismo ao comunismo, e não é  agora que o mundo vai aceitar essa argumentação LibLu/Convergência Socialista para justificar os erros cometidos pelo Brasil contra Honduras. Acertou Obama, acertaram os americanos. Tiveram sensibilidade para entender o cerne do drama político e ofereceram saídas, ao contrário de nossos diletantes barbudinhos, que adoram “fazer política” às custas do sofrimento dos outros.

E quem são as “vestais romanas” que condenam Honduras? O mesmo Lula que nega o mensalão, que reconhece apressadinho a eleição, esta sim violenta e fraudada, ocorrida no Irã semanas atrás e que deu mais um mandato ao psicopata Ahmedanijad. O mesmo Lula que apóia Kadhafi e ditadores africanos (no Sudão e em Burkina Faso, entre outros) em nome de promessas ao apoio de uma vaga no CS da ONU. Os mesmos Lulas/Evos/Correias que acham que Cuba é uma democracia. Por que não cobram eleições limpas e democráticas em Cuba? Com supervisão internacional? Cuba não sabe o que é uma eleição democrática desde que existe Cuba e desde que existem eleições democráticas.

Serviço 5 Estrelas para Zelaya sob a proteção de Lula, o pai e filho do Brasil

Se há uma verdade nisso, é que a política do Itamaraty é guiada pelo vento oportunista das ambições do presidente de plantão. O que ocorreu em Honduras mostra a ação de um Itamaraty partidarizado, desconhecedor das regras do jogo diplomático e nas mãos de um formulador ideologizado e despolitizado como Marco Antônio Garcia, aliado ao neo-petista Celso Amorim. Juntos, com seus velhos binóculos, eles acham que enxergam melhor a biruta do aeroporto que guia os passos de uma política externa sem rigor, sem compromisso, sem rumo e que dança ao sabor das correntes.

*Fred Navarro, 53 anos, jornalista e escritor pernambucano, mora em São Paulo. Publicou “Assim falava Lampião” (1988) e “Dicionário do Nordeste” (2004) pela ed.Estação Liberdade. É tuiteiro (@frednavarro), não tem medo de cara feia e não acredita em Papai Noel.

2 thoughts on “Honduras: o fim da diplomacia do tacape “democrático”

  1. Parabéns. É raro achar um texto que fale que a tentativa de golpe foi de Zelaya que queria modificar a constituição à força.

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