Eletrônika: vanguarda ou tendência?

casal, van goghrda, vanguarda, tendência?

casal, van gogh, vanguarda, tendência?

Estava hoje pelas ruas caminhando quando um casal não permitia uma rápida ultrapassagem. Decidi reduzir a velocidade dos passos e esperar o melhor momento para pegar o vácuo na reta oposta e tomar a frente rumo à bandeirada. Não tinha um destino certo, meu traçado se fazia no exato instante, eu só queria caminhar. A dupla  discutia sobre a existência ou não do que se denomina “vanguarda”. Pareciam um tanto intelectuais ou deviam estudar pintura. Em poucos metros citaram o impressionismo de Renoir, Cézzane, François Boucher e até Delacroix eu ouvi. Apesar disso, prefiro os traços surdos de Van Gogh e o surrealismo de Miró. Não entrei na conversa. Continuei seguindo-os e desliguei por definitivo a música.

A vanguarda, como se sabe, é um léxico de origem francesa. O significado se deu – e isso eu consultei – em dois momentos e de formas distintas. Na primeira, a essência sui generis, “avant-garde” é o mesmo que “proteção frontal”. Literalmente, refere-se ao batalhão militar que precede as tropas em ataque numa batalha. Daí, vanguarda é aquilo que “está à frente”. Na segunda, veio a chupada dos artistas que expunham no Salon dês Refusés ou, para fácil compreensão, Salão dos Recusados. Aos poucos, aqueles preocupados somente com a questão estética também se valeram do termo e aí o negócio começou a perder um pouco do sentido.

Como eu segui os transeuntes e, mais que isso, pescava a conversa – algo que faço com frequência -, o máximo que permitiria alcunhar-me seria “tendência”. Vanguarda? “Jamé”. A tendência é uma linha mais covarde, porém, mais segura. Você não põe sua cara à tapa, as chances de conseguir êxito são maiores, mas provavelmente também não será lembrado como ícone. Dos movimentos artísticos na pintura, o único que chamaria vanguarda seriam as rupestres, porque foram as primeiras. As demais, pura tendência. E aí entram esses carinhas que muita gente estuda, nomes em pencas que não preciso citar uma vez que o objetivo deste é falar de música.

Trupe francesa do Byrd Nam Nam. Novas tendências no Eletrônika

Trupe francesa do Birdy Nam Nam. Novas tendências no Eletrônika

Em se tratando de tendência, enquanto Aracaju leva a sola dos meus sapatos, BH se “prepara para” mais uma edição do Eletrônika: Festival de Novas Tendências Musicais. Produzido pela Malab, o evento já é visto pelo menos na imprensa mineira como um suspiro no abismo em meio à overdose sertaneja e pop que a cidade das alterosas cultua em seus rótulos artísticos. Um grito que tem tímpanos certeiros e reverbera seus ecos. Estive presente de corpo e alma na edição 2007. Sem dúvida, se eu fosse sadomaso, diria que foi um soco no estômago de bom. LCD Soundsystem, Battles, Mix Hell, Turbo Trio, Shir Kan, enfim…

Esse ano, a programação está mais eletrônica, mas continua interessante. Participações tupiniquins recheiam os palcos do Eletrônika, deixando-o menos internacional, porém tão plural quanto. De fora, e em homenagem ao ano da França no Brasil, Minitel Rose, Rubin Steiner, Anoraak e Birdy Nam Nam. Daqui, destaco N.A.S.A (conexão EUA/Brasil), Copacabana Club, Killer on the Dance Floor, Stop Play Moon. Com exceção do Virna Lisi, os demais confesso não conhecer.

Porém, isso é sim o ponto positivo do Festival. A turma sempre traz novidades. O Malab é um cara altamente antenado do que rola no cenário musical. Vive e absorve música há anos, aposta em shows que muito empresário de BH não tem culhão para fazer, é um cara extremamente otimista quando quer provar que dá pra fazer algo que muitos não teriam peito. A primeira vez que o vi, antes de vê-lo, o ouvi. Ele conversava sobre cachês milionários de Sérgio Sampaio. Estávamos no Chevrolet Hall, começo de tarde, o momento certo para aquela aliviada intestinal. Sentados. Ele de um lado, eu do outro. Ele falava, eu lia e ouvia.

Se vanguarda ou não, se tendência ou não, o certo é que o Festival Eletrônika está aí. De 5 a 7 de novembro, em quatro palcos distintos: Espaço 104, Velvet, A Obra, Deputamadre. 100% underground. 100% Malab.

Participe. Deixe seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s