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Os caminhos do Jornalismo Online ainda estão sendo construídos - Foto: reprodução

Os caminhos do Jornalismo Online ainda estão sendo construídos - Foto: reprodução

Foi-se o tempo em que o romantismo de uma máquina de escrever e seu toc-toc fazia parte do dia-a-dia de uma redação. A revolução digital chegou de fato e o acesso a tantos recursos, apesar de ainda limitado pelo quesito “preço”, é uma realidade tanto para quem vive nos grandes centros, como também para aqueles que estão espalhados pelos recônditos brasileiros. Uma rápida consulta aos neurônios nos leva a uma passagem pelo túnel do tempo da tecnologia e traz à tona siglas como mIRC, ICQ, 386, 486, Netscape, Napster, Cadê, Zipmail e outros. Hoje, fala-se de Podcast, transmissão em tempo real, WordPress, Twitter, Flickr, Google, Bing, Youtube, Facebook, Orkut e por aí vai. O certo é que a vida é um moto contínuo, uma constante evolução, mas quando o assunto é jornalismo online, a constatação é que poucos são os bons exemplos de mídia que sabem explorar o potencial que a Internet oferece.

O assunto foi discutido durante o 14º Encontro Sergipano de Comunicação – Ensecom –, realizado entre os dias 21 e 25 na Universidade Tiradentes. O tema nesta edição foi a “Comunicação na Contemporaneidade”, ou seja, os caminhos que estão se abrindo para os profissionais do amanhã. Palestras e minicursos trouxeram o debate para a academia e, o que se pôde constatar, é que o mote rende pano para manga, como se estivéssemos ainda em busca daquela via que definitivamente vai nos levar a um porto seguro.

Antes de entrarmos de cabeça e esmiuçar o que significa esse tal “Jornalismo Online”, façamos uma breve reflexão. O ano era 1995. O Brasil entrava definitivamente na era cibernética com a ampliação do acesso à Internet por meio das linhas telefônicas. De lá para cá, a rede cresceu vertiginosamente e continua em ritmo de expansão acelerada. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) – divulgados recentemente – a taxa de lares com computador saltou de 26,5% em 2007, para 31,2% no ano passado e, no caso das conexões domésticas, saímos de 20% para 23,8% em 2008. Parece pouco? Nem tanto, uma vez que são mais de 40 milhões de pessoas online, seja em casa, seja no trabalho ou por meio de lan houses, internet móvel (3G), além de celulares, Iphones e Smartphones. No resumo da ópera, a constatação é que o brasileiro gosta e quer ficar cada vez mais conectado.

É preciso, contudo, refletir sobre o que se “consome” nesse mundo digital. Será que usamos a internet da melhor maneira? Será que todo esse conteúdo lançado a todo instante realmente nos traz conhecimento? Para a professora da Unit e especialista no assunto Polyana Bittencourt, “é preciso que se entenda a proposta do meio e o que posso fazer nele. Com tanta informação, é necessário cuidado, devemos dosar e ter controle da situação para que o uso não se torne algo tenso e angustiante. Será que tudo que acessamos nos traz informação ou conhecimento?”, questiona. Para ela, muitos veículos de comunicação online ainda não exploram o ciberespaço como poderiam. “Os jornais, por exemplo, criam seus sites e não sabem usar de forma correta os recursos que a internet permite. Eles apenas reproduzem o que já está divulgado numa forma impressa na versão web, e isso não é, necessariamente, jornalismo online”, pontua.

A linha evolutiva da comunicação demonstra que, a princípio, os novos meios tendem a copiar os velhos. Os jornais de outros se inspiraram nos livros; o rádio, na imprensa; o cinema, no teatro; e a TV, tanto no rádio quanto na sétima arte. Não é algo inédito pensar que o ciberjornalismo se apóie nos modelos preexistentes do jornalismo escrito, radiofônico e de agência.

Mas, ainda assim, há bons exemplos a serem seguidos. Um deles vem de Recife, do Jornal do Comércio especificamente. Quem destaca é a editora-executiva do Portal Imprensa, a jornalista Thais Naldoni. Durante o Ensecom, ela apresentou aos acadêmicos situações de como a imprensa tem trabalhado nesse meio. “Estamos num período em que todos falam de internet, redes sociais, o que podemos fazer com o acesso à internet. No sentido da apuração, de checar o fato, o trabalho, é idêntico. A dinâmica da internet é que é diferente. Nela, você consegue ter áudio, vídeo, podcast, foto, texto, infográfico e outros recursos que são frutos do aprimoramento tecnológico. O Jornal do Comércio, de Recife, faz isso de forma exemplar. Eles mesclam texto com vídeos bem editados, completam com áudio numa linguagem bem radiofônica. São perfeitos”, explica.

Glauco Vinícius, Thais Naldoni e Polyana Bittencour, no Ensecom. Foto: Rodrigo C.

Glauco Vinícius, Thais Naldoni e Polyana Bittencour, no Ensecom. Foto: Rodrigo C.

Online sergipano

Outro que participou do debate sobre os caminhos do Jornalismo Online no Estado foi Glauco Vinícius, egresso da instituição que, atualmente, trabalha como repórter no Portal Infonet. Segundo ele, por aqui essa modalidade na profissão avança vagarosamente até pela falta de investimento do empresariado local. “Temos uma média de 90 mil acessos por dia e, para um Estado pequeno como Sergipe – onde a inclusão digital ainda não chegou de fato –, é um número bastante expressivo”, destaca.

Apesar da audiência, Glauco revela também que atuar nessa área por essas bandas é como matar um leão por dia. “A gente acaba fazendo um pouco de tudo. Não temos equipe suficiente para competir com portais de expressão nacional que investem no noticiário de vídeos diariamente, mas a qualidade vem melhorando. Estão surgindo novos veículos na internet e a competição, evidentemente, faz com que você evolua, dê mais agilidade na notícia mantendo a linha de checar antes de publicar e valorizando a qualidade do texto”.

A jornalista carioca Monique Cabral destaca que a qualificação dos profissionais de comunicação e a possibilidade de integrar recursos tecnológicos para produzir conteúdo jornalístico tem sido a grande discussão sobre a internet como meio de comunicação. “Na guerra pela soberania, o que se vê é uma corrida das grandes empresas – impressas, televisivas ou radiofônicas – para conquistar seu espaço neste novo ambiente. O desafio é criar outro tipo de publicação, com outra linguagem, inédita e interessante. Neste sentido, a primeira providência que as empresas de comunicação deveriam tomar seria a criação de uma equipe independente, responsável por produzir outro tipo de conteúdo, com uma forma diferenciada de tratar os acontecimentos”, relatou em trabalho apresentado durante sua conclusão de curso.

Outro palestrante do Ensecom, o jornalista e escritor Marcelo Moutinho, discute sobre os caminhos pelos quais o jornalismo online vai passar. “Ainda estamos num momento de transição muito claro. Estudei com máquina de escrever, o acesso à internet ainda era muito incipiente. Os próprios profissionais e as empresas ainda não chegaram ao ponto ideal de como tratar o conteúdo na internet. Às vezes se aplica uma lógica de mídia impressa em que só transferem a informação para o virtual, como se fosse apenas mais um meio. Na verdade, a virtualidade requer mais rapidez, uma resposta rápida no diálogo entre o leitor e quem escreve”, esclarece.

Na verdade, com a velocidade de transmissão da notícia no rádio, o poder de entretenimento da televisão e o charme dos recursos visuais que misturam design, fotografia, vídeo e animação, a internet consolida-se como uma nova mídia. Emissor e receptor vivenciam o mesmo momento da comunicação. Potencialmente, a interatividade é plena e o texto não tem limites. Isto facilita o detalhamento e a análise dos assuntos, como em um jornal ou uma revista, com a vantagem do hipertexto, que abre novas possibilidades de leitura.

Rafinha 2.0 : Vídeo sobre a influência da tecnologia da vida de um ser humano

http://www.youtube.com/watch?v=UI2m5knVrvg

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