O paraíso de Tieta

Vila de Mangue Seco

Vila de Mangue Seco

Um dia, deitado sob a sombra de um coqueiro, olhei para o céu. Vi nuvens brancas e gordas num imenso mar de anil. O vento seguia seu caminho sem destino soprando-as como quem toca uma boiada. Por um instante, pensei em Deus. Seria aquele momento o sinônimo do Paraíso? Absorto, divaguei boquiaberto por minutos injustificáveis. Fiquei assim meio paralisado, talvez completamente estático, o tempo por um instante parou. Quando dei conta de mim, sacudi a cabeça, estava em transe. Acabara de passar pelo efeito Mangue Seco.

Para chegar ao local, é preciso sair um pouco do mapa, pois, está situado entre o rio e o mar num pedaço de terra repleto de dunas que, vagarosamente, são varridas do seu ponto de origem. Alguns dizem que Mangue Seco é um conjunto de areia situado entre o nada e o lugar nenhum e, até em virtude disso, torna-se um destino especial. Foi lá que Jorginho, o baiano Amado, buscou inspiração para escrever o romance Tieta do Agreste – imortalizada na figura de Betty Faria, ao interpretar a personagem numa novela da Globo.

A tranqüilidade, o barulho da água batendo contra o casco das gazelas, os olhares curiosos de quem vive dos e para os turistas, isso é Mangue Seco. Um misto de sensações que variam entre o estar longe de todos, mas próximo de tudo. E essa oitava maravilha do mundo não impõe barreiras para ser visitada. Localizada às margens do Rio Real, na divisa da Bahia com Sergipe, está a 100 km de Aracaju e a 242 km de Salvador. A melhor forma de chegar é via Sergipe. Para quem vem do sul, pela Linha Verde, siga até Indiaroba e dali por mais 12 km em estrada de terra até Pontal. Você deixa o carro estacionado e segue de barco num passeio que leva cerca de 40 minutos pelas águas do Rio Real. Quem optar pelo transporte coletivo, o ideal é ir até Estância (SE) de ônibus e, uma vez lá, pegar outro até Pontal.

O vilarejo, apesar de simples, conta com oito pousadas sendo que, numa delas, a estrutura é de causar êxtase. Apesar dos preços um pouco inflacionados (esqueça as agências de banco e o caixa-rápido), é possível encontrar boas opções para hospedagem. Mas, nem tudo está perdido. Cartões de crédito tornam-se a salvação, desde que respeitados os 5% cobrados pela famosa “taxa de serviço”. Além dessa regalia, o turista encontra energia elétrica, telefone público e sinal de celular. Pelas ruas de areia circulam bugres e alguns carros com tração. Do alto das dunas, a visão que se tem é maravilhosa: um mar de areia circundado por águas doce e salgada, recheado com coqueiros que, muitas vezes, ficam soterrados até a copa. Quem passar por lá, com certeza conhecerá os majestosos Romeu e Julieta, um casal que representa, com beleza singular, as personagens de Shakespeare numa versão abrasileirada.

Mangue Seco abriga diversos ecossistemas litorâneos tais como dunas, restinga, foz, manguezais e praias. A fragilidade e beleza dos mesmos fizeram com que a área fosse declarada, em 1994, uma APA (Área de Proteção Ambiental). Toda e qualquer diversão em Mangue Seco deve levar em consideração a fragilidade desta vegetação como também o respeito à comunidade de pescadores. Ao todo, 30 km de praias enlaçam esse pedacinho de céu. Em posição privilegiada, na baía de Estância, Mangue Seco testemunha o encontro dos rios Real, Piauí, Fundo, Guararema, Priapu e Saguí com o Oceano Atlântico. A mistura de água doce e salgada propicia a formação de extensas áreas de mangue e, conseqüentemente, a fartura de frutos do mar. Na praia de rio, os coqueiros se debruçam, curvando o tronco sobre as águas.  Por toda a margem espalham-se pousadas, bares, restaurantes e casas de pescadores. Sem dúvida, um passeio que encanta os olhos e traz paz para o coração.

Paisagem de tirar o fôlego

Paisagem de tirar o fôlego

História

O povoado de Mangue Seco surgiu como uma vila de pescadores há mais de dois séculos. No passado, era ponto de apoio às embarcações que navegavam pela Barra de Estância, transportando o açúcar oriundo dos engenhos de Sergipe. Havia ali, um comércio até respeitado, porém, o avanço das dunas reduziu a área física disponível e várias construções foram, aos poucos, desaparecendo.

A vila chamava-se de Santa Cruz da Bela Vista e tinha a economia voltada para a pesca e a produção de coco. O escoamento do que ali se produzia sempre foi marítimo, utilizando barcos a vela com destino a Salvador – ponto terminal para ida e vinda de mantimentos. O nome “Mangue Seco” vem da vegetação típica que se forma no meio das dunas e permanece durante todo o ano, alimentada pelas chuvas e na sobe-e-desce das marés.

Dicas

 Tenha sempre o filtro solar em mãos, fator 30 é básico.

– Leve repelente, de preferência creme ou spray, para manter-se livres das muriçocas nas proximidades do rio.

– Os passeios de bugre custam entre R$ 40 e R$ 50, podendo ser feito por até quatro pessoas.

– Não esqueça de dinheiro em espécie na carteira. Caixa-rápido por lá ainda é um sonho.

– Leve cartão de crédito. Os estabelecimentos aceitam e você pode pagar um pacote com almoço, passeio e hospedagem nas próprias pousadas.

– Não fique ansiosa(o) para ver a casa de Tieta, ela é a última atração do passeio de bugre. Chegando lá, faça uma pose sensual e tire aquela foto inesquecível.

– Máquinas digitais nas mãos, pilhas devidamente recarregadas e clique sem medo de ser feliz.

mangue

Mangue Seco: um pedaço do paraíso escondido no Brasil

Onde ficar:

Pousada Fantasia do Agreste

Tel.: (75) 3445-9011 e (75) 3445-9070

Pousada O Forte

Tel.: (75)3445-9039

Pousada Águas Marinhas

Tel.: (79) 9928-9774 ou (75) 3445-9045

Pousada Mangue Seco

Tel.: (79) 9986-9203

 

 

 

 

 

 

 

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