Sete propostas para o Jornalismo Cultural – reflexões e experiências

Os autores Geane Alzamora, Isabelle Anchieta e Nísio Teixeira fazem o lançamento do livro 7 propostas para o jornalismo cultural, no dia 12 de setembro, sábado, entre 11 e 14 horas, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi). No mesmo horário e local, Túlio Sérgio Henriques Ferreira lança também O Universalismo e seus Descontentes – A Política Exterior do Brasil no Governo Figueiredo – de 1979 a 1985 (Juruá Editora).

O livro 7 Propostas para o jornalismo cultural aborda – por meio de 7 ensaios de docentes  de escolas brasileiras de comunicação e jornalismo –, múltiplas visões da importância do jornalismo  cultural,  sua abrangência, limites éticos e  possibilidade de amadurecimento dos jovens jornalistas e escritores. Destina-se a todos os que se interessam em pensar a prática de um jornalismo comprometido com a sociedade e a vida multicultural do país.  

A reunião dos autores deste livro ocorreu por um fato particular: o prêmio RUMOS ITAÚ CULTURAL, Carteira Professores de Graduação (2007/2008), que selecionou professores de todo o Brasil para uma discussão sobre Cultura e Jornalismo. O livro ora editado pela MIRÓ EDITORIAL está composto por artigos de sete dos nove professores premiados e apresenta reflexões importantes sobre o Jornalismo Cultural. Do norte ao sul do país, cada docente apresenta seu desafio pessoal de levar adiante o pensamento reflexivo – e ao mesmo tempo prático – a fim de absorver leituras e linguagens prioritárias na informação dos profissionais da comunicação social. 

Assim, abordado por diferentes pontos de vista, o jornalismo cultural ganha sob estes sete olhares uma contribuição plural e rica. Trata-se de um trabalho que, acima de tudo, foi construído por educadores universitários, engajados em pensar e dividir suas experiências para colaborar com o fortalecimento do ensino e da prática do jornalismo cultural – todos cientes da importância da informação de qualidade para se formarem sujeitos culturais ativos e reflexivos politicamente.

ADRIANA PESSATTE AZZOLINO relata uma proposta de ensino que tem o objetivo de aproximar futuros profissionais da comunicação da Teoria Geral das Artes, da semântica das obras, da configuração plástica de seu sentido e das diferentes abordagens poéticas. Azzolino acredita que a produção e a recepção de sentido se concebem a partir de experimentações plásticas, do contato com diversas matérias-primas e diferentes ambientes ou suportes expressando múltiplas linguagens, a partir da sala de aula.

A reflexão de CIDA GOLIN resulta da experiência profissional, docência e pesquisa acadêmica na área e percorre os seguintes tópicos: jornalismo como conhecimento e mediação; conceito de cultura na mídia; inserção no sistema artístico-cultural; linguagem híbrida na representação da cultura; formação de repertório humanístico. Sua experiência sugere um percurso formativo para o estudante de jornalismo cultural, um programa a ser aplicado em uma disciplina ou seminário do curso de graduação em Jornalismo, expandido ou reduzido a pontos básicos, mas que não pode prescindir da formação interdisciplinar, muito além do espaço de aula.

Para GEANE CARVALHO ALZAMORA, a definição sobre o que é ou não assunto para a editoria de cultura e a linguagem mais adequada para se abordar o assunto são bastante flexíveis. Assim, deve-se considerar pedagogicamente uma disciplina que priorize abordagens culturais pouco visíveis na mídia tradicional, assim como incentivar experimentações de linguagem que levem em conta os trânsitos contemporâneos de informação cultural. Para além do jornalismo de massa, interessa, nessa disciplina, investigar e experimentar os formatos emergentes de informação, através dos quais se conforma boa parte das mediações culturais contemporâneas.

ISABELLE ANCHIETA problematiza em seu texto o conceito de Jornalismo Cultural historicamente, apresentando suas regularidades e os desafios contemporâneos; além disso, apresenta princípios gerais e premissas teóricas e éticas para a formação humanística e sólida dos jornalistas, que devem estar cientes da sua responsabilidade como mediadores culturais. Essa formação, capaz de encarar a prática como forte e transformadora, é essencial. 

MARGARETH ASSIS MARINHO trata não apenas da leitura de decodificação de sinais, mas da leitura significativa, reflexiva, que leva o homem a se apropriar de sua cultura e cidadania. Educação vinculada à cultura, ao prazer de entender e aprender. Afinal, constata-se que, em geral, jovens que ingressam nas universidades não têm o nível de leitura necessário para a reflexão. 

MARINA DE MAGALHÃES SOUZA aponta em seu texto as questões que refletem o grande impasse do ensino superior no Brasil: como e o que ensinar a esse novo público que chegou às universidades, públicas ou privadas, através de programas de ingresso, das bolsas, financiamentos e facilidades do mercado privado da educação.

Por fim, NÍSIO TEIXEIRA aponta como a discussão sobre jornalismo cultural impõe desafios tanto para a sua prática como para o seu ensino. Inicia enumerando problemas relacionados à prática do jornalismo cultural diário, e encerra relatando sua experiência como professor, no qual destaca três desafios: a formação, a didática e a experimentação.

Lembramos que este livro se destina não só aos estudantes de jornalismo como também aos profissionais da educação e da prática jornalística. Contém sete propostas que se abrem para o diálogo, com a finalidade de encontrar, ao longo do seu caminho, novos olhares e perspectivas, tanto para a prática como para a reflexão do que se denomina Jornalismo Cultural.

Sobre os autores

ADRIANA PESSATTE AZZOLINO é publicitária e socióloga, doutora em Comunicação pela ECA/USP e mestre em educação pela FE/UNICAMP. Especialista em História e Cultura pela UNIMEP. É avaliadora institucional e de graduação para cursos de Comunicação Social do MEC/INEP e CEE-SP. Pesquisadora do Grupo Cibernética Pedagógica – ECA/USP e do LEIE – Laboratório de Estudos e Intervenção em Ecopolítica-CEA/UNESP-Rio Claro. Leciona Sociologia no curso de Pedagogia no IB-Depto. de Educação – UNESP-Rio Claro. Sua linha de pesquisa é Comunicação e Educação. http://lattes.cnpq. br/4629354869551560.

CIDA GOLIN é jornalista, mestre e doutora em Letras pela PUCRS e professora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do PPGCOM/UFRGS. GEANE ALZAMORA é jornalista, doutora em Comunicação e Semiótica e professora da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona Jornalismo Cultural (graduação) e Redes Sociotécnicas (pós-graduação strictu sensu). Coordena, nessa instituição, o grupo de pesquisa (CNPq) Comunicação e Redes Hipermidiáticas. É co-organizadora das coletâneas Kulturdialoge Brasilien-Deutschland: Design, Film, Literatur, Medien (2008) e Cultura em Fluxo – novas mediações em rede (2004).

ISABELLE ANCHIETA é mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no curso de Comunicação Social – Fafich. É pesquisadora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no grupo Jornalismo, Cognição e Realidade (JR), que tem como objetivo sistematizar, contextualizar e analisar as teorias do jornalismo. Foi apresentadora e editora do Jornal da Globo em Minas Gerais e repórter de documentários especiais pela TV Cultura (Rede Minas de Televisão). É professora de Teorias da Comunicação e Teorias do Jornalismo da Universidade FUMEC e do Centro Universitário Newton Paiva. E-mail: isabelleanchieta@gmail.com.

MARINA DE MAGALHÃES SOUZA é jornalista e professora, mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, especialista em Jornalismo pela UFJF e graduada em Comunicação Social-Jornalismo pela UFJF. É coordenadora pedagógica do curso de Comunicação Social da UNIPAC (Universidade Presidente Antônio Carlos, de Juiz de Fora/MG). Tem experiência em jornalismo impresso e rádio, tendo desenvolvido as funções de repórter, editora, chefe de reportagem e secretária de redação.

MARGARETH ASSIS MARINHO é mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e jornalista pela UFJF. É professora da rede municipal e da UNIPAC/ JF, e autora dos livros A tia míope e Dossiê saci. 

NÍSIO TEIXEIRA é jornalista, doutor em Ciência da Informação pela UFMG e ex-professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUCMG) e do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Integra o Observatório da Diversidade Cultural de Minas Gerais e também o U-40 Group, coordenado pela Comissão Alemã da Unesco. Atuou na Escola Livre de Cinema no módulo História e Crítica. Como jornalista, trabalhou, dentre outros, na revista General, na rádio Geraes FM e no caderno cultural do jornal Hoje em Dia. Trabalhou também na criação do Centro de Referência Audiovisual de BH; no Centro Cultural da Lagoa do Nado; coordenou um curso de especialização em Jornalismo Cultural através do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. É coautor do livro Mapeamento do ensino de Jornalismo Cultural em 2008, lançado ano passado pelo Itaú Cultural. Atualmente é colaborador do site Filmes Polvo.

One thought on “Sete propostas para o Jornalismo Cultural – reflexões e experiências

Participe. Deixe seu comentário.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s